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sábado, 9 de maio de 2009

Onde foi parar o tempo?

Não acredito ter escrito sobre isso, aliás, com certeza nao escrevi.



É uma coisa que me assombra dia após dia, há mais de um ano, mas já é realidade. Uma realidade dolorida, mas em nenhum momento, deixou de ser verdade.







O Riacho não está mais entre nós.



Aquela casa com o pé direito enorme, que abrigou tantas reuniões e problemas familiares, que abrigou tantos anos de minha vida, mudanças de sonhos, planos e até medos.







Foi vendido.



A causa, claro, foi boa. Há muito meus avós estavam na cidade e depois do falecimento de Eliene, ninguem housava ir la. Algumas pessoas na família estava precisando de dinheiro... sem contar a ameaça de invasão por parte dos sem terra.



Eu os mataria se pudesse.



Mas ainda não posso.



Ainda...







Ops...!







Mentiria se dissesse que sonho com o Riacho todas as noites, a cada semana, uma noite de minha vida é rezervada para sonhar com ele... relembrar subconcientemente os dias de felicidade e inocencia juvenil que tive ali.



Uma vez sonhei até com as moscas que nos importunavam no período mais quente do ano... É, em época quente, não precisava nem mexer com leite, as moscas vinham mesmo!







...e a árvore de flores amarelas que teimava em forrar o chão com sua cor?



Ah....! nem que gaste todas as forças que tenho, encontrarei lugar pra me fazer tão bem!



Eu sei que sou muito apaixonada pela Irlanda, sei das paisagens de lá, mas não foi lá que eu consegui pegar uma lagartixa pelo pescoço com uma forquilha minúscula!







Não foi em nenhum lugar do mundo além do Riacho do Aurélio que eu caí de uma égua vermelha que se chamava Fly-Flin e ela tentou pisotear minha cabeça...







Foi lá, só la que eu vi um sofrê (foto) pela primeira vez na minha vida. Me encantei muito mais com o nome que com as cores dele... Na época, eu tinha tudo que me fascinava em termos de cores e vida, então, pouca coisa nesse sentido me chamaria a atenção.












Foi lá no Riacho também que uma mocinha roubou o anel da Barbie de Paulinha pensando que era algo de valor...






... no mesmo dia que engoli o anel da minha!


Mas o anel nao tinha valor, não é mesmo?


Não foi ele que algum dia me fez falta!!! O que me mata aos poucos, o que me faz lamentar cada dia que vem, são os dias que foram. Os dias que tive ali, em frente daquela casa enorme, embaixo ou em cima de um pé de... bem, nao me lembro o nome, mas era do lado do pé de algaroba.


O que eu sinto ter perdido, são aqueles dias ao pé de um umbuzeiro, com a cara lambuzada e os dentes "desbotados" de tanto comer a fruta. Mas mesmo assim não parava...


Mas nao havia motivos pra parar.

Assim como não há motivos pra esquecer...

(continua... Pq não há motivos pra que o contrário aconteça.)

Enviado por Ban às 17:08